
É sim, supostamente, visto que ele ensinou durante 45 anos de sua vida, sabendo que ele nasceu em
Sidarta Gautama, que após iluminar-se ficou conhecido como Buda (o desperto), tinha como ensinamentos básicos evitar o mal, fazer o bem e cultivar a própria mente. O objetivo é o fim do ciclo de sofrimento, despertando no praticante o entendimento da realidade última.Buda não era chegado a discussões teóricas ou metafísicas não, ele se interessava por temas práticos ou terapêuticos , nunca iniciando uma discussão filosófica e participava delas com certo contra gosto, contudo não podemos dizer que ele não entendia sobre o assunto, a metafísica é inevitável, embora ele tivesse conceitos ao gostava de mostra-los dessa forma, um grande conceito que ele tinha e que sempre surgi atualmente é o do Nirvana.
Conhecemos como Nirvana o que é o objetivo final da vida, o conhecimento da realidade última do ser humano. Ao pé da letra quer dizer “apagar”, “extinguir”, mas não uma aniquilação total, e sim a aniquilação daquilo que deve ser aniquilado ou extinto e esse “tudo” é o que nos prende a essa vida finita, o Nirvana é a libertação dos grilhões da vida limitada, e a libertação para o absoluto, este que Sidarta não descreveu já que nossos problemas e limitações da linguagem não nos permitem falar sobre ele, apenas podemos senti-lo e acreditar na sua existência, como o que fazemos com o vento, nós não o vemos, não o pegamos, não podemos mostrá-lo a ninguém, mas mesmo assim acreditamos na sua existência.
Sendo o budismo uma religião, é fácil supormos que ele tenha um Deus, este seria o Nirvana? O que significa Deus? Deus pode ser visto como algo personificado e criador deliberado de tudo que podemos ver, tocar, sentir, mas o Nirvana não se encaixa nessa visão por que personificação requer definição e Buda não queria definir o Nirvana, já que este é absoluto, e sobre o ser criador vale salientar que ele não negava a criação mas isentava o Nirvana dessa responsabilidade. O Deus como divindade, aquele que não nasceu não morre, não é forma do nem se deformará. Esse sim é o Nirvana, que existe de forma absoluta. Mas não podemos negar que confusões são justas, até por que são conceitos (o de Deus no ocidente e o do Nirvana) bem próximos.
Outro conceito importante do budismo é o da reencarnação, como filha da Índia, Sidarta acreditava nesse evento, mas não da forma como os brâmanes o viam, como uma transmissão integral de substância que irão sair de uma vida e ressurgir em outra de forma inexorável, existe até uma analogia feita por Sidarta que se tivermos velas enfileiradas e passarmos a chama de uma vela para a outra como saberemos se a chama da ultima vela é realmente a chama original? Nós trazemos sim uma linhagem de informações das nossas vidas antepassadas, mas isso não quer dizer que as nossas atitudes e preferências estão de fato determinadas e que seremos vetores dessas vontades preexistentes.
Para reforçar essa convicção, Buda listou as três marcas de nossa existência, a anicca (transitoriedade) é a primeira delas, esta somada a marca da anatta (ausência de alma ou identidade) temos que nossas vidas não são constantes ou determinadas, a transformação é permanente, a terceira marca é a dukkha (sofrimento) que ocorre devido ao nosso desejo ignorante das coisas materiais e terrenas, este são os que nos prendem a vida terrena. Buda trata também da morte física, segundo ele o ser comum ao morrer deixa aqui os seus resquícios de desejo e este ser irá sobreviver através deles, mas com o Arhat , é diferente, o arhat é aquele ser que conseguiu se desprender dos desejos terrenos, neste momento Buda se torna ambíguo na sua resposta, segundo ele, se o arhat não sobrevive a morte física, estaria configurada a extinção, o que Buda não queria dizer, mas também se permanecesse teríamos a permanência de algo como constante, sem anicca o que tampouco deveria ser dito também.
Finalizando os pensamentos, temos que o fim último do ser humano está alem de toda experiência histórica do indivíduo, logo fora do seu conhecimento, fora de nossa razão existente e enquanto o espírito se mantiver atrelado ao corpo nunca teremos uma libertação, mas se cortarmos essa conexão, a morte final do arhat trará a total libertação do finito.



